"A evidência maior da existência do monstrengo só apareceria, entretanto, em 1934. Nessie foi clicado enquanto passeava super tranquilão e exibido pelo lago. Uma imagem pra cético nenhum botar defeito. Pena a foto ser uma fraude."

Cerca de um milhão de turistas viajam todos os anos até o misterioso lago Ness, na Escócia, para não ver Nessie; o monstro que não existe mas mora lá. O fenômeno é deveras interessante. Apesar da ausência de provas, pelo menos decentes, da existência da criatura "imorrível" de cabeça pequena, corpo grandalhão e um pescoço de fazer inveja a qualquer girafa super bem dotada, é enorme o número de pessoas que acreditam no grande réptil jurássico.

Sem o pop star subaquático, Lake Ness seria apenas mais um lago qualquer perdido no planeta. Por causa de Nessie, entretanto, o turismo bombante é comum na região. O inusitado, repito, é o fato de não haver, nem nunca ter havido, monstro nenhum no local. Eu também não queria que fosse mentira. O mundo seria mais divertido se ele existisse. Tampouco duvido de quem garante já ter dado de cara com a emblemática criatura. Dependendo das substâncias e das circunstâncias, é perfeitamente compreensível. Eu mesmo, depois de degustar um requintado chá de cogumelos em Mauá, encontrei, no quarto do hotel que estava hospedado, minha namorada transando com o capitão américa e o homem de ferro enquanto um rinoceronte laranja tentava se esconder atrás da cortina. A presença dos super heróis até pode ser explicada pela festa a fantasia que rolou mais cedo na pousada vizinha. Até hoje, porém, não consigo entender aquele rinoceronte. 

Enfim, são milhares os relatos a respeito da criatura. O primeiro no século Vl d.C; a "besta do lago" teria sido vista por um padre católico chamado Columba. O cara já virou até santo mas, nem assim, com todo respeito e sem ressentimentos, dá pra acreditar na história do encontro com o monstro. Até porque, diga-se de passagem, fazer parte da igreja católica não serve exatamente como grande referência de credibilidade. Entre outras coisas, Nessie teria, inclusive, aceitado as ordens de Columba e poupado a vida de um pobre homem que nadava no lago. É de se supor, portanto, que o badalado monstro seja, além de um sobrevivente pré-histórico, uma criatura cristã temente a Deus.

A evidência maior da existência do monstrengo só apareceria, entretanto, em 1934. Nessie foi clicado enquanto passeava super tranquilão e exibido pelo lago. Uma imagem pra cético nenhum botar defeito. Pena a foto ser uma fraude. Mas isso pouco importa. Nessie é mais ou menos como a fé. Pra quem acredita nenhuma prova é necessária. Ademais, o grande réptil "imorrível" já conquistou status de celebridade internacional. E o melhor; não vai morrer nunca. Até porque, pra morrer é fundamental estar vivo. E essa não é, apesar de todo fascínio, a realidade do jurássico fofucho.

Graças aos avanços da tecnologia, ninguém precisa mais ir até a Escócia para não ver a besta do lago. Agora também é possível não avista-lo vinte e quatro horas por dia através de imagens fornecidas por websites. Sem abandonar o conforto do lar, qualquer infeliz pode não enxergar a criatura por ângulos diferentes e quantas vezes quiser. A não ser que a sua internet seja Tim, não deve ser complicado acessar a engenhoca. Em todo caso, mesmo que seja Tim, vai ser você sem sinal tentando ver um lago sem monstro. No final das contas, ficam elas por elas.

Me parece contraditória, todavia, a maneira de pensar que eu mesmo penso. Senão vejamos; não acredito na existência do monstro escocês. Não obstante, sou o tipo de cara avesso a idéia de dar chance pro azar. Por nada nesse mundo aceitaria uma aposta para varar a noite no lago dentro de um bote salva vidas. Bastaria ver uma bolha saindo da porra do lago para sofrer dois derrames e uma parada cardíaca. Acha isso um exagero? Não faz tanto tempo assim, um turista americano abandonou o plano material da existência enquanto visitava o "castelo do Drácula" na Romênia. O pobre coitado não imaginava que funcionários sapecas se escondiam para pregar peças nos visitantes. Em suma; o cara morreu de susto. Deve ter achado que estava perto do Drácula. Bom, agora ele está. Se é que o badalado vampiro de Bram Stoker realmente existiu. Puta merda, vai começar tudo de novo.

"Todo mundo é feliz com dois mil até o dia que ganha quatro. É feliz com quatro até receber oito. Quando fatura vintão começa a se perguntar como alguém sobrevive com quinze. "

Pergunte a quem tem, se dinheiro não é importante. É claro que é importante. Não é tudo. Eu sei que não é tudo. Já fui feliz sem dinheiro. Portanto sei que não é tudo. Mas isso não quer dizer que não seja importante. Importante do tipo muito importante. Não sei se o amigo leitor já viu a palavra importante aparecer tantas vezes no mesmo parágrafo. Não foi sem querer. Sou um homem de vocabulário vasto, altamente diferenciado. É porque dinheiro é importante pra caralho mesmo.

Funciona mais ou menos assim; ninguém costuma sentir falta daquilo que nunca teve. Experimenta comprar um carro, parar de andar de ônibus e, depois de algum tempo, precisar vender o possante e voltar a sentir o aconchego e o calor humano do coletivo selvagem. Na boa, talvez fosse menos traumático jamais ter saído do busão. Em outras palavras, é fácil conviver com certas coisas até conhecer outras melhores. Tipo assim, todo mundo é feliz com dois mil até o dia que ganha quatro. É feliz com quatro até receber oito. Quando fatura vintão começa a se perguntar como alguém sobrevive com quinze. Minha proposta, porém, passa longe da idéia de um debate amplo e plural acerca do assunto. Só não topo a ladainha de que dinheiro não faz tanta diferença assim. Atire a primeira pedra quem nunca deixou de fazer alguma coisa, importante ou não, por falta de mil, de duzentos ou mesmo de trinta reais.

Nada disso, porém, justifica palpitar ou calcular a vida dos outros em função do quanto ganham ou do que fazem com o parco ordenado recebido religiosamente até o quinto dia útil de cada mês. Fico indignado com esses elementos que, na falta de algo melhor para fazer, colecionam conclusões baseadas exclusivamente nas próprias teorias e limitações. Senão vejamos uma mãe solteira de cinco rebentos entre oito e quinze anos de idade, todos eles em colégio particular. Suponhamos que a pobre coitada receba um salário de novecentas pilas. A primeira vista, vai dar chabu. Entretanto, basta a digníssima senhora vender duas crianças para equilibrar o orçamento. Tá vendo? Não é tão complicado quanto parece.

O tema é complexo. São vários os lados da moeda. Há quem garanta, com toda razão, que dinheiro não traz felicidade. Não a toa, podemos, não raramente, flagrar figuras cheias da grana afogadas em crises de depressão. Belo argumento. Porém, até quando está deprimido o cidadão financeiramente abastado tem lá suas vantagens. Convenhamos, se for pra sofrer é melhor sofrer com dinheiro no bolso. Milionário quando fica triste troca de carro, mostra quem manda no shopping, enche a cara com bebidas piscantes, faz análise com doutores consagrados ou pega um avião e vai espairecer num resort de qualidade master power. Se isso vai ou não trazer a felicidade de volta, aí são outros quinhentos. De qualquer forma, continua sendo melhor do que chorar bebendo pinga com limão e ouvindo músicas em inglês como se estivesse entendendo alguma coisa.

Não tem conversa. Com grana, seja lá o que for, é mais fácil. Sem grana, seja lá o que for, é mais difícil. E basta o cidadão ganhar um pouco mais ou um pouco menos pra sentir na pele as soluções ou os pepinos roliços chegando por trás. O problema é que dinheiro não dá em árvore. Nem dinheiro, nem força de vontade. E é aí que a porca torce o rabo. Tem muita gente, por exemplo, preferindo casar com quem não gosta só pra escapar da labuta. Passou pela minha cabeça citar os bostas que torcem, velada ou publicamente, isso quando não resolvem com as próprias mãos, pela morte de pessoas "queridas" de olho na herança dos moribundos. No entanto, achei esse exemplo meio mórbido demais. Preferi usar o do casamento.

Sempre fui avesso ao cerceamento da liberdade de expressão. Ideários diversos tornam o mundo mais interessante. Entretanto, seja lá qual for a sua opinião, dinheiro vai continuar importante do mesmo jeito. Sei que não é tudo, mas é importante. Importante do tipo muito importante. Já era assim lá no primeiro parágrafo. Não haveria razão pra deixar de ser importante agora. Não sei se o amigo leitor já viu a palavra importante aparecer tantas vezes em dois parágrafos do mesmo texto. É que, quer queiram quer não, dinheiro é importante pra caralho mesmo. Agora, se for observado do ponto de vista histórico, aí é importante pra caralho também.
 

 "Não raramente, amigo leitor, entre todas as malas que você leva quando viaja, a mais pesada é a sua mulher."

Este texto é um momento de reflexão. Uma pequena pausa para matutarmos acerca de um mal que aflige grande parte dos maridos e namorados mundo afora. Não serei sequer ácido como de costume. Uma prova irrefutável dos meus sinceros sentimentos e apoio aos infelizes acostumados a enfrentar essa dura realidade. Sei que se trata de um assunto delicado, capaz de gerar interpretações e comentários tão maldosos quanto equivocados. Pouco me importa. São ossos do meu ofício. Em minha defesa, juro escrever a verdade, só a verdade, nada mais que a verdade. Meu nome é Honesto. E assim foi, desde sempre, o meu blog. Reconheço que as ideias dos próximos parágrafos parecem extremamente machistas. E realmente são. Tá vendo? Sou honesto. Nesse caso, honestamente machista. É opção sua seguir ou não em frente. Só não vale dizer que não foi avisado.

Nada como arrumar as malas e se aprontar para dias de muito descanso, tranquilidade e diversão. Nada como uma mulher neurótica para transformar esse momento em um pesadelo de proporções assustadoras. Haja drama, incertezas e sofrimento enquanto preparam a mudança. É isso mesmo, amigo leitor. Mulher não viaja, mulher se muda. Uma mala só pra levar o banheiro. Não importa o destino. Tampouco interessa se é perto ou longe, se vai de carro, navio ou avião. Saiu de casa a mulher leva com ela tudo que pode do banheiro. É até difícil entender de onde sai tanta necessaire. São muitas. Surgem do nada. Todas equipadas apenas com o que há de mais essencial.

O ápice do drama é a dúvida cruel a respeito da meteorologia e do roteiro de atividades. O armário, infelizmente ( felizmente pra nós ) não cabe no carro. E agora, meu Deus? Será que lá é frio? Tem piscina? De noite a gente sai ou fica em casa? O pessoal lá ( leia-se as outras mulheres ) anda arrumado? Tem mosquito? Tem tornado? Ai, se fizer sol quero ir à praia. E dá-lhe roupa espalhada na cama que vc pretendia dormir naquela noite. Transtornadas em busca do look mais apropriado, acabam levando tudo que é possível enfiar nas malas que vc, com muita dificuldade, vai carregar após uma soneca improvisada no sofá.

Depois de não conseguir decidir o que vai levar na mala dela, a moçoila vem cheia de moral resolver o que vc vai levar na sua. É estranho, mas não resista. Cabeça de mulher é um lance imprevisível. Ainda mais quando estão mega tensas e excitadas. Melhor não contrariar. Vai que ela se invoca. Não faz muito tempo, um empresário bem sucedido e descuidado acabou, ele mesmo, indo parar dentro da mala devidamente picotado pela própria esposa. Não faz sentido dar chance pro azar. Ademais, o homem espada tá pouco se fudendo pra roupa que vai vestir quando está de férias. Simplesmente relaxe, concorde com tudo que ela escolher e boa viagem. É bem mais seguro assim.

Chegando lá, seja lá onde for lá, ela vai partir pro passeio turístico preferido delas. Lojas, muitas lojas. Viagem sem souvenir não é viagem pra mulher. São compras pessoais, encomendas de amigas e presentinhos ainda sem dono que serão divididos quando voltar pra casa. Pronto! Lá vem drama. Não vai caber tudo nas malas que já estão lá. A única solução é adquirir mais uma. Dependendo das circunstâncias, mais duas. E advinha quem vai carregar mais essas?

Sou um homem rodado. Já viajei com mulheres de todas as cores, de várias idades, de muitos amores. Não a toa, posso falar de cadeira acerca do assunto. Se estressar por excesso de bagagem é gastar energia com o problema errado. Não raramente, amigo leitor, entre todas as malas que você leva quando viaja, a mais pesada é a sua mulher.

Se você era um merda ano passado, vai continuar um merda esse ano. A diferença é que vai ser um bosta modelo 2014.

Ano novo vida nova. Eita mentira do cacete. Essa frase é tão falsa quanto "vamos lá em casa, não vai acontecer nada que você não queira". Até parece que uma noite de festa, fogos, álcool, fudelância e assaltos vai mudar alguma coisa. Se você era um merda ano passado, vai continuar um merda esse ano. A diferença é que vai ser um bosta modelo 2014.

Acho muito engraçado: o infeliz, há décadas, é preguiçoso pra caralho. Tipo o cara que inventou a bandeira do Japão. Aí resolve que vai começar a malhar forte em janeiro. Por que janeiro? Quais os poderes especiais do primeiro mês do ano? Nenhum!!! Janeiro não tem poder nenhum!!! Ademais, é um calor dos infernos. Uma genuína manifestação do capiroto. Qual é o problema com agosto, março ou junho? Bom, junho tem festa junina. Aí eu até entendo. Seu organismo jamais teria assimilado uma mudança tão violenta nesse período do ano. Festa junina é foda. Não dá pra fazer mais nada mesmo. Cristo! Francamente! Tenha santa paciência. A caceta é a sua preguiça. Lamento profundamente informar; o réveillon não vai resolver isso pra você.

Mas, pelo menos, comer direito você vai. Vai porra nenhuma. Tá querendo enganar quem? Toda semana é a mesma ladainha; segunda eu começo a dieta. Duvido. Conheço bem esse tipinho. Passa o ano todo repetindo essa balela e nada. Mas agora é a primeira segunda do ano. Agora vai. Não vai. Todo mundo sabe que não vai. Tipo assim; qual a relação de uma coisa com a outra? Ano passado era um ano ruim pra cuidar da saúde? O que há de tão especial em 2014? Nadica! É um ano como qualquer outro. Mais um pra prometer e não cumprir. Bom apetite, seu cara de pau.

Tá bom. A ideia então é tomar decisões mais coerentes. Chega de cometer os mesmos erros. A ordem é evitar as cagadas do ano passado. Peraí. Você, por acaso, está insinuando que vai ficar mais inteligente esse ano? Deixa eu entender; durante a festa de réveillon, o amigo receberia, de alienígenas camaradas num rápido processo de abdução, um cérebro novo de presente. Na boa, acho mais fácil o Fluminense cair pra segunda divisão. Burrice é uma questão hereditária. Prepare-se pra conviver o resto da vida com as orelhas longas e peludas que o destino reservou carinhosamente pra você.

Mas não há motivo para pânico. Afinal, enquanto houver vida há esperança. Existe sempre a chance de uma conjunção favorável dos astros transformar seu futuro medíocre em um mar de rosas colombianas. Surpresas no campo laboral, espiritual ou sexual podem estar reservadas pra você. No entanto, todo cuidado é pouco se Plutão estacionar em Aquário. Se bem que Plutão não é mais planeta. Já foi rebaixado há tempos. Assim sendo, deixou de ser uma ameaça relevante. Seja lá como for ou não for, vale ressaltar que tais fenômenos nada tem a ver com a suas atitudes. O lado bom é que não exigem qualquer tipo de sacrifício mental, físico ou coisa parecida. O lado ruim é que essa porra não existe, não faz sentido, não resolve a vida de ser humano nenhum. Enfim, acredita no que quiser. Já tá afogado na merda. Fazer o que?

Incomparavelmente triste, porém, é a ilusão dos infelizes que não comeram ninguém ano passado e acalentam o sonho de sair pegando geral em 2014. Amigo leitor, qualquer cidadão decente precisou de técnicas especiais de self defense para conter o ataque das pererecas voadoras em 2013. Se nem assim, no auge da fúria feminina, você botou a jiripoca pra piar, seu caso é especialmente grave. Talvez seja o momento de rever sua orientação sexual e buscar caminhos alternativos. Quem sabe uma virada de ânus diferente renove suas esperanças? A você, com todo respeito e sem ressentimentos, desejo ótimas entradas em 2014. Que o seu ânus novo seja repleto de alegrias e histórias pra contar.

"Quer queiram quer não, quando se trata de prevenção a todo e qualquer tipo de violência, nosso país é um fracasso absoluto."

Eu era apenas uma criança raquítica e nanica. Não havia sequer alcançado a sexta primavera. Minha experiência em lutas se resumia a combates esporádicos contra a filha da babá. No caso, eu era o espectroman e ela o mal que deveria ser aniquilado. Não obstante o fato de ter duas vezes o meu tamanho, a mocinha, previamente orientada, sucumbia sem maiores problemas ao meu "vasto" repertório de golpes. Eu estava invicto. Desconhecia o sabor amargo da derrota. Meu cartel impecável me credenciava a desafios maiores. Aquela casa já não era o bastante pra mim.

Devidamente emperiquitado, caminhei de mãos dadas com a minha mãe até a academia de judô mais badalada do bairro. Nem o fato de ser a primeira aula me deixava intimidado. Motivado por um passado de glórias, pisei no tatame com sangue nos olhos e ódio no coração. Quando me dei conta, já estava sendo asfixiado pelo traseiro fofucho de um gordinho gago e perigoso. Foram trinta segundos entre a vida e a morte. Eu sabia que precisava ficar longe da luz. Enquanto lutava pela própria sobrevivência, pensei na minha família, no meu cão e nas coisas que eu deveria ter feito. Traumatizado, abandonei precocemente a promissora carreira de judoca.

Desde então se passaram trinta e seis anos. Amadureci. Durante as últimas décadas percebi, entre outras coisas, que não ter me tornado um pênis das artes marciais não fez a menor diferença na minha vida. Afinal, não trabalho com segurança, não sou lutador profissional nem membro de torcidas organizadas. Entretanto, apesar da colaboração incondicional do tempo, nem todo mundo amadurece. Alguns simplesmente apodrecem. Tornam-se débeis mentais incorrigíveis e violentos. Não é difícil localizar integrantes dessa horda atroz, nefasta e peçonhenta. Muitos deles adoram frequentar estádios de futebol.

Qualquer infeliz está careca de saber; não é de hoje que, vira e mexe, o pau come solto nas arquibancadas e nas ruas que cercam os campos do esporte mais popular do planeta. Até porque, quer queiram quer não, quando se trata de prevenção a todo e qualquer tipo de violência, nosso país é um fracasso absoluto. No dia oito de dezembro de 2013, porém, o Brasil se superou. As cenas de barbárie na cidade de Joinville, região sul do país, durante o duelo entre Vasco e Atlético Paranaense, pintaram um retrato desconcertante da falta de preparo, da inconsequência e da ausência completa de discernimento dos homens fortes do nosso futebol. Um jogo decisivo sem um único policial dentro do estádio. Uma crônica de tragédia anunciada. De quem teria partido uma das ideias mais criminosas da história do esporte brasileiro?

De ninguém. A culpa, como de hábito, vai sendo empurrada de um lado pro outro com a mesma naturalidade que completos desconhecidos entram em rota de colisão a troco de absolutamente nada. Alguns torcedores estão presos. Grande merda. Quero saber é onde está o boçal que autorizou essa tragédia. Esse sim, deveria estar dividindo uma cela apertada com homens carentes e bem dotados. Esse é o verdadeiro responsável pela tarde sanguinária que chocou e envergonhou a nação. Contudo, a impunidade seletiva é uma das tradições mais conhecidas e respeitadas no país do futebol, do samba e da pizza. Serve pra tudo que é tipo de crime. Por que cargas d'água não protegeria o poderoso palhaço que incentivou a catástrofe de Joinville?

Bem vindo ao Brasil. A casa da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos. O que não deixa de ser uma ótima chance de mostrar mais um pouco da nossa cultura para o resto do planeta. Como a Copa está muito em cima, vou deixar aqui algumas sugestões para o ano de 2016. Dessa forma, haverá tempo suficiente para avaliar e incluir as idéias nas Olimpíadas do Rio de Janeiro. São sacadas tão geniais quanto realizar uma partida decisiva de futebol sem policiamento no estádio. Ademais, são atividades já devidamente incorporadas ao nosso cotidiano. Não sendo, portanto, nada capaz de queimar a mufa dos organizadores do evento. Com a providencial ajuda de profissionais experimentados, usaríamos a cerimônia de abertura pra promover um arrastão tipicamente brasileiro durante o desfile das delegações. Sugiro, como fundo musical, um funk de raiz. Um lance batidão pra botar o público na vibe correta. Sem perder o embalo, o segredo da festa é o movimento, incendiaríamos, no lugar da tradicional tocha olímpica, um ônibus ou um índio. Super fofo, né? Bem a cara do Brasil.

Últimos Comentários

Hugo Vinhas
Marreta este post conseguiu compensar o tempo sem postagem, genial !

forte abraço
Samantha
Adoro a falsa sanidade provocada pela liberdade de acreditar no que quiser! Quer dizer, a unica diferença entre um crente (do...
Fernanda Almeida
Amei !!!!
william
Pow mentira a tim esta sempre com sinal até de baixo d'agua...Kkkkk
Pillar Nunes
Não poderia escolher melhor forma de encerrar essa sexta-feira do que rindo com esse texto.
Tô com saudades porra! Falei...
Bruna
Caro Marreta, sinto lhe informar que você esta errado, pois não precisei ir ate a Escócia para encontra- lo. Cruzei com o tão...
Fabiane
Adorei!!!!!
Mais uma incrível e divertida viagem para o mundo do bom humor e risos!!!
Bjs!!!!
Maia Fleming
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH...
Ana Lúcia
Eu amei esse texto. Muito engraçado. Incrível como você trata de um monstro que não existe de uma forma tão real, assustador...
Renato Sales
Eu mesmo, depois de degustar um requintado chá de cogumelos em Mauá, encontrei, no quarto do hotel que estava hospedado, minh...